31 julho 2005
a razão de não dar…
…não dou porque já dei muito. Não dou porque te habituaste a receber. Não dou porque te tornaste invejosa. Não dou porque já não o mereces. Não dou mais nada. Já te dei o que tinha a dar. A ingratidão magoa.
30 julho 2005
sábado...
…o vento empurra os cortinados contra a minha face quando vou até á sacada. O dia não está muito quente. Lá fora um casal passeia de mão dada. Os pombos, esses bichos nojentos, vão levantando voo á medida que os velhotes passam por eles. Não há planos e até estou bem disposto.
29 julho 2005
isto não é ficção...
...uma ponte em obras. um hospital do outro lado. uma intervenção que começa ás 8h30m. das quatro faixas apenas duas estão abertas, uma para cada sentido. nas outras duas monta-se uma espécie de tenda para a inauguração da ponte remendada. são nove e meia da manhã. a fila de trânsito está mais compacta, ninguém se mexe, apenas os que dispõem as cadeias de madeira no lado de fora da tendas branca com tecto em forma de bico. surreal. a artroscopia começa ás 10h30m. o doente estava ansioso, apesar de ser uma coisa simples, já podia estar feita. o ortopedista que vinha do outro lado, franziu o sobrolho para outro. o que fazer? o outro responde-lhe, em vez de irem almoçar ao G. pegar nos carros e ir até á ponte insultar alguém, pedir satisfações, questionar a protecção civil se estavam ao corrente da inauguração. do outro lado existe um hospital.os doentes existem. acidentes acontecem. são 15h35m e os carros ainda parecem caracóis. ao lado, engravatados chocam copos e divertem-se.
28 julho 2005
- oh sô agente...
...está aí a fazer o quê? O engarrafamento é lá em baixo, não é aqui em cima porra! Vá trabalhar! (não lhe disse para ir trabalhar, na volta ainda se ofendia)
Pior que um bófia, é um bófia a fazer de conta que está a fazer alguma coisa e com um sorriso nos lábios. O esperto pedia, acenando com os braços, que os condutores apressassem a marcha, onde não podiam. Farto destes palhaços...
Pior que um bófia, é um bófia a fazer de conta que está a fazer alguma coisa e com um sorriso nos lábios. O esperto pedia, acenando com os braços, que os condutores apressassem a marcha, onde não podiam. Farto destes palhaços...
26 julho 2005
armado em electricista…
...ingredientes: chave de fendas; alicate; candeeiro novo; algum fio eléctrico; lâmpada de baixo consumo; escadote; duas doses de paciência; meia dose de suor
…preparação: suba ao escadote para efectuar as ligações naquelas coisinhas que parecem peças de lego, se esqueceu a chave de fendas, desça o escadote e vá buscá-la (vai precisar), ponha-a no bolso das calças ou da camisa, não esteja em pelota; de volta ao escadote, descarne os fios eléctricos e introduza na peça de lego previamente preparada para acolher os fios do novo candeeiro; aperte agora os parafusinhos da peça de lego que há pouco desapertou; viu, já está, não é assim tão difícil pois não? Agora, ligue o quadro e carregue no interruptor…
…resultado: um pequeno estrondo e um valente susto!
…resolução de problemas: chame um electricista e sinta-se ligeiramente envergonhado, não deverá ser nada de muito grave, afinal nem um pequeno esticão apanhou, não é verdade?
…recomendações: desligue sempre o quadro e lembre-se que a porra das
CORES DOS FIOS INTERESSAM, não é á toa que uns são castanhos e outros azuis…
…preparação: suba ao escadote para efectuar as ligações naquelas coisinhas que parecem peças de lego, se esqueceu a chave de fendas, desça o escadote e vá buscá-la (vai precisar), ponha-a no bolso das calças ou da camisa, não esteja em pelota; de volta ao escadote, descarne os fios eléctricos e introduza na peça de lego previamente preparada para acolher os fios do novo candeeiro; aperte agora os parafusinhos da peça de lego que há pouco desapertou; viu, já está, não é assim tão difícil pois não? Agora, ligue o quadro e carregue no interruptor…
…resultado: um pequeno estrondo e um valente susto!
…resolução de problemas: chame um electricista e sinta-se ligeiramente envergonhado, não deverá ser nada de muito grave, afinal nem um pequeno esticão apanhou, não é verdade?
…recomendações: desligue sempre o quadro e lembre-se que a porra das
CORES DOS FIOS INTERESSAM, não é á toa que uns são castanhos e outros azuis…
24 julho 2005
mudanças...
...não há pachorra. caixotes. monta e desmonta, monta lá e desmonta aqui. lixo e tralha, impressionante o monte de merdas que um gajo consegue guardar. sou um falso sentimental. alguém para ajudar? não pago nada, nem um sorriso, mas com este calor ofereço uma bejecazita…
manias...
...e paranóias. Teremos a noção de quando somos apanhados por uma? Acho que sim, e quando? Quando olhamos ou pensamos em algo de uma maneira extraordinária, de uma forma totalmente nova, que nos martela a cabeça e inunda a mente. Sabemos naquele instante que esse pensamento obcecado e vindo do nada, poderoso, veio para ficar. Até quando? Isso é outra estória…
20 julho 2005
dormes de olhos semicerrados...
...de lado com as mão juntas e entre as pernas. respiras profundamente e o teu peito, generoso, acompanha o movimento da respiração. baixo o som para não te acordar. ainda não começaste a bater com os dentes, mas não falta muito. nem me aproximo muito de ti. um momento de paz.
16 julho 2005
boas intenções…
...dizem que o inferno está cheio de boas intenções, se calhar até está. também eu as tenho. muitas. uma delas é tornar menos infelizes as pessoas que me rodeiam, confortá-las e levantar-lhes o ânimo. não é fácil neste país de merda onde as pessoas não são valorizadas e a hipocrisia e a mediocridade são celebradas. não podemos esperar muito dele. só nos temos a nós.
ps: não é fácil ver-te assim. de braços caídos
ps: não é fácil ver-te assim. de braços caídos
14 julho 2005
vamos lá...
- ...onde?
- não sei...onde os nossos pés nos levarem. não nos vamos perder...
- agora ainda não, mais pela fresquinha. a areia ainda queima.
- 'tá bem.
- não sei...onde os nossos pés nos levarem. não nos vamos perder...
- agora ainda não, mais pela fresquinha. a areia ainda queima.
- 'tá bem.
12 julho 2005
...barriguitas
...corre, salta, chuta, mergulha, nada. Tem nove anitos e uma senhora barriguita. Já fez dieta. Gosta de comer. Tudo. Até sopa. A geração dele está pesadita e rechonchuda. Só se mexem nas férias. São ases no pc, na playstation, dominam os telélés e os comandos da televisão, do dvd e da tv cabo. Os bolinhas são aos magotes na praia. Os pais não parecem muito importados com isso.
11 julho 2005
pouca terra...
...há muito que não andava num comboio. não num daqueles apinhados de gente muda e que não conversa, mas boceja e suspira. os balões por cima das suas cabeças dizem tudo: preocupações e mais preocupações. há muito que não fazia uma viagem de comboio. num daqueles com poucas pessoas, onde ninguém desespera pelo destino, onde se conversa e se ouvem histórias de pessoas reais. terra e mais terra. ainda falta um bom bocado para chegar a M. aqui o tempo passa mais devagar as pessoas têm menos rugas. pelo menos a minha avó.
08 julho 2005
passado...
...as cicatrizes pertencem ao passado. As minhas são pequeninas e estão escondidas dos outros, tirando a do sobrolho quando escorreguei no wc. Já tem uns anitos. Nasci de uma cicatriz, não, ela é que nasceu comigo, a cicatriz que muitas vezes beijei em criança na tua barriga. Agora já não a beijo nem a vejo sequer, entretanto arranjaste outras. Afinal nem todas pertencem ao passado, eu ainda aqui estou e ela também, algures em ti.
ps: eles vieram para ficar. nunca o "eles andam aí" fez tanto sentido
ps: eles vieram para ficar. nunca o "eles andam aí" fez tanto sentido
05 julho 2005
a sorte também ajuda...
...as últimas duas, três semanas têm sido uma montanha russa de emoções. ora lá em cima ora lá em baixo. mais que o normal. no fundo até gosto. na verdade hoje estou mesmo lá em cima. com alguma sorte á mistura. também ajuda. duas notas: este vento enlouquece qualquer um, mas hoje até me rio dele; mais de uma dezena de cegonhas planavam por cima dos arrozais, esqueci-me da máquina.
04 julho 2005
a atitude certa...
...quem sou eu para te dar conselhos ou sugerir um rumo numa caminhada em que tens que ser tu a marcar o passo, o teu norte. mas uma coisa te digo, atirares com a toalha ao chão não é uma opção, a balofa ainda não cantou. nem para ti nem para ninguém. cabeça erguida e boa sorte, agora estás por tua conta.
01 julho 2005
no banco de trás...
...olho pela janela o nada, calhou-me a mim ir atrás. Não se vê um carro desde P... só pinheiros e uma estrada a rasgá-los. Cerro um pouco o olhar e afino o ouvido, estarão eles a tentar dizer algo? Esforço-me por os tentar ouvir, mas são tantos e fogem depressa, um sussurro que não se percebe. Falem a uma só voz porra! Tu aí á frente, desliga o rádio e liga o ar condicionado. No máximo, para cá chegar fresquinho. Os sentidos ficam mais despertos. "não te preocupes. vai tudo correr bem." Dizem eles...








