decisão...(Edvard Munch)

...na areia molhada enterrou os pés, quentes e inchados, da mesma maneira como fazemos quando em crianças desejamos ser uma árvore, tal qual a do páteo da primária, os pés tentam ser as raízes que nem precisam de se debater para agarrar a areia que ainda assim teima em se escapar uma e outra vez. ontem quando a chuva ressoava na janela peguei nos binóculos e vi-a, não tenho que me desculpar. quem toma a decisão lá se lembra de umas lentes que tremem perante o fascínio que se avizinha? lá estava ela a respirar pela última vez aquele ar salgado atenuado pela chuvada impiedosa. as ondas revoltosas que lhe haviam ficado de levar a carcaça tinham faltado ao prometido, pois bem ficaria ali mesmo a boiar, melhor, bem pensadas as coisas. olhou para cima, fechou os olhos e desenterrou os pés. meteu a cápsula milagrosa na boca e engoliu-a com uma mão cheia de mar. sucumbiu quase de imediato. nem flashbacks, nem luzes, nem túnel algum, apenas o escuro e o frio, muito frio. um arrepio e desmaiei.
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