de raspão...
...saiu do carro calado a tremer de emoção, há mais de um mês que não batia por trás. a adrenalina segregada circulava á mil. o outro esperava-o calmamente, com um sorriso trocista. a veia na testa latejava, ia meter um murro nos cornos daquele cabrão. desde quando é que um puto de merda lhe chamava paneleiro e punha o dedo de fora da janela e não sofria as consequências? a vantagem de ter um carro com uma carroçaria de alumínio, "chapa como já não se faz", era esta, espetar uma cacetada por trás nos carros dos parvalhões que não sabem andar na estrada e não respeitam coisa alguma, a brincadeira não lhe ficava barata, mas era um bom escape. a coisa nesse dia correu mal, o puto do cabrio apontou-lhe uma arma, e agora senhor chapa? ficou branco e sentiu uma tontura, uma gota de suor congelou na sobrancelha, involuntariamente pestanejou. deu dois passos atrás e disse para o puto baixar aquela merda, pagava tudo, o pára-choques, a óptica, a pintura, tudo desde que baixasse aquela merda. o puto espetou-lhe um balázio na perna, de raspão. o velho mercedes verde azeitona passou a ficar na garagem e agora o senhor chapa anda de transportes públicos.

<< Home