os insectos ainda não dormem…
Tocaste-me no ombro subtilmente, querias testar-me? Será que ainda reconheceria o teu toque? Não tive pressa em virar-me. Sabia que estavas lá, mais tarde ou mais cedo os nossos caminhos iam cruzar-se. Senti a tua respiração, o teu hálito a rum, doce e quente. Piscaste o olho lentamente, o tempo quase que parou, tens esse poder. Não precisaste de dizer nada, segui-te até lá fora. A noite estava abafada, sentia-se uma atmosfera densa, os insectos ainda não dormiam, o seu zumbido ainda se ouvia. Não queres que fale, silenciaste-me com o teu indicador, cheira a tabaco e ao teu perfume. Uma pessoa define-se pelo cheiro das suas mãos. Tiraste-me o copo da mão e empurraste-me contra a mesa de pedra que fica ao lado daquele carvalho enorme, ainda dei mais um gole. Uma gota de suor escorre-te pelo peito abaixo, sigo-a com o olhar, continuas a não usar soutien. A pedra fria, as nossas línguas trocam saliva e álcool, o meu coração quente. Lá dentro a música não pára, nem nós. O copo parte-se, alguns vidros ferem-me as costas, não, não pares, não é nada. Os nossos movimentos fazem os vidros enterrarem-se um pouco mais, mas não sinto dor, sofro de prazer. Mais logo em tua casa, ris-te de nós, dos meus pequenos cortes e das tuas cuecas que alguém vai encontrar. Ainda está calor e os insectos, como nós, ainda não dormem.

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