uma esmola…
Fiquei a pensar naquela expressão o resto do dia, “Não me deu de manhã?”. Por situações estranhas todos nós passamos, mas há frases, olhares, caras que nos marcam, chegamos a questionar se estaremos mesmo a vivê-las ou a senti-las.
Quando passei por ela da primeira vez, apressado, sorriu-me, retribui-lhe com o meu sorriso fácil e descomprometido. Julguei que tivesse a recuperar o fôlego, ainda que tivesse subido uma dúzia de degraus. O dia estava muito quente. Reparei nos seus sacos a imitar o padrão da B.
Quando voltei da baixa, a senhora lá estava. Parei no alfarrabista do Arco da Almedina, passo os olhos pelos livros que estão na parede, não entro por preguiça umas vezes e por falta de paciência noutras, não costumo comprar livros por impulso, ao contrário de quase tudo o resto. A senhora chamou-me, “uma esmola”, não percebi á primeira, aproximei-me e ela repetiu “uma esmola”, instintivamente meti a mão ao bolso e tirei umas moedas. Dou esmola, não penso quando o faço. Olhei melhor para ela, pele tom de pérola amarelecida, asseada, roupa não muito velha e aquele conjunto de três malas padronizadas.
“Não me deu de manhã?”. Desculpe, não estará a confundir-me com outra pessoa? Não lho digo, penso-o, talvez tenha confundido. “deus o abençoe…”.
Não serão estes pequenos gestos, uma fraca tentativa de redenção, uma tentativa de julgarmos que no fundo de tudo até nem somos assim tão maus como pensamos? A necessidade de praticar algum bem. Uma esmola de nós.
Pensando bem o pior de tudo ainda são aquelas malas, que ainda não me saíram da cabeça.
Quando passei por ela da primeira vez, apressado, sorriu-me, retribui-lhe com o meu sorriso fácil e descomprometido. Julguei que tivesse a recuperar o fôlego, ainda que tivesse subido uma dúzia de degraus. O dia estava muito quente. Reparei nos seus sacos a imitar o padrão da B.
Quando voltei da baixa, a senhora lá estava. Parei no alfarrabista do Arco da Almedina, passo os olhos pelos livros que estão na parede, não entro por preguiça umas vezes e por falta de paciência noutras, não costumo comprar livros por impulso, ao contrário de quase tudo o resto. A senhora chamou-me, “uma esmola”, não percebi á primeira, aproximei-me e ela repetiu “uma esmola”, instintivamente meti a mão ao bolso e tirei umas moedas. Dou esmola, não penso quando o faço. Olhei melhor para ela, pele tom de pérola amarelecida, asseada, roupa não muito velha e aquele conjunto de três malas padronizadas.
“Não me deu de manhã?”. Desculpe, não estará a confundir-me com outra pessoa? Não lho digo, penso-o, talvez tenha confundido. “deus o abençoe…”.
Não serão estes pequenos gestos, uma fraca tentativa de redenção, uma tentativa de julgarmos que no fundo de tudo até nem somos assim tão maus como pensamos? A necessidade de praticar algum bem. Uma esmola de nós.
Pensando bem o pior de tudo ainda são aquelas malas, que ainda não me saíram da cabeça.

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