tacteando as pedras…
…da calçada um cego passou pelas minhas janelas. Tenho sempre a mesma reacção, por mais que os veja, uma mistura de compaixão e admiração. Eles não gostam que se tenha pena deles, concordo, mas não deixo de ter. Podem contrapor que têm o mundo deles, independente, de sons e de cheiros, formas ou mesmo as suas cores irreais. Mas mesmo assim tenho pena deles, sonharão eles as imagens que este nosso mundo nos dá? Tinha o rádio ligado. Assobiou a melodia que tocava baixinho cá dentro, sorri. Ele virou-se para trás e os seus olhos enfrentaram os meus, um combate desigual, mas sem vencedor. Queria saber donde vinha aquele sorriso mudo e sincero.

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