um reencontro…
...de amigos desavindos é quase sempre um tiro no escuro. Acabamos por não saber como vamos reagir quando estivermos cara a cara, vamos perder as estribeiras e exaltarmo-nos ou falar como homens e tentar resolver as coisas calmamente, com discernimento? A caminho da festa não pude deixar de tentar treinar a expressão da cara, o que havia de dizer, como dizer, o coração palpitou e a boca secou. “Estou bem. Não tenho nada. Está muito calor…”, seria assim tão óbvia a minha indisposição? Parece que sim. O meu filho reparou. Estacionei e vi o teu carro que não passa despercebido. “O tio André também está cá papá!”. Não respondi, dei-lhe a mão e subimos a pequena estrada de terra batida. Quando entrámos, o Pedro foi logo ter com o avô, acenei-lhe de longe. Procurei-te com os olhos, estavas ao pé do cedro com a nova namorada e os teus putos. Caminhei devagar sem tirar os olhos de ti, tu fizeste o mesmo, encontrámo-nos a meio. Não falámos, só sorrimos, ao fim de uns segundos soltaste uma gargalhada e abraçámo-nos. “O que queres beber meu velho?”, bebo sempre um bom gin, tónico, pois claro. A tua irmã também nunca dizia que não. Tenho saudades dela.

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