um fim de tarde
O vento soprava, mas não estava muito frio. Conseguiste arrancar-me de casa. Quando caminhávamos ao longo do rio de mão dada, fizeste quase questão com aquele teu olhar, ouviste o que parecia uma rã a coaxar, não era, ri-me. Só acreditaste que era uma garrafa depois de a veres a embater ritmadamente nas pedras da margem, pequenas ondas abanavam-na, o som era muito parecido, assenti. Fizemos alguns planos para o futuro, nada de importante, decidíamos entre uns dias na praia ou um fim-de-semana nalgum hotel recatado. O género de coisas que um de nós se lembrará daqui a algum tempo. Procurámos um café, tinhas as mãos frias, apertaste a tua na minha. Nuvens encobriam um sol preguiçoso. Acendeste um cigarro, o fumo que saía da tua boca incomodou-me, pediste desculpa e beijaste-me na cara. Estavas feliz e sorridente. Um milhafre sobrevoou calmamente o rio. Ainda era cedo.

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