sôtora,sôtora...
Quando somos clientes habituais de um espaço, seja ele um restaurante, um bar ou um café e, sentimos que não somos apenas mais um, acabamos por nos afeiçoar a ele e ás suas pessoas. Comigo é assim. Um destes dias, entrou uma mulher extremamente elegante no “meu” espaço. Do tipo executiva. Portadora de uma bela figura – detive o meu olhar nela por alguns segundos, sou um admirador confesso de pessoas bonitas – acompanhada de uma mulher um pouco mais velha, sem maquilhagem, estilo mais sóbrio. Durante o almoço não pude deixar de reparar nela. Sentou-se de costas para a televisão, não a censuro. O circo do costume, os directos de Roma e afins. Nas conversas a outra mulher era uma espécie de sombra, estava ali para ouvir, a sua opinião não contava. Sorria e assentia com a cabeça, falava baixinho ao contrário da Sôtora. A decepção foi grande. Fazia questão de mostrar que era uma pessoa arrogante, orgulhosamente arrogante e as pessoas educadas que trabalham honestamente e, com um sorriso não merecem levar com estas figuras em cima, não merecem mesmo nada. Quis estar na pele do António na altura em que lhe levou o café. “OOPS! …mil desculpas! Vou já buscar o tira nódoas Sôtora…”

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