alguma coisa será…
...ou muito me engano, ou a coisa é mesmo feia. A velhota falava com longas pausas. Sentada nos degraus á entrada de casa, cobria a testa do sol enquanto falava com a comadre. Fazia bastante calor, sabia bem aquele bafo quente, há que aproveitar, quando se é velhote é-se como um lagarto, fica-se com o sangue frio. A comadre abeirou-se dela e tomou o seu lugar numa cadeira á sua esquerda. O cão arfava e sacudia as moscas com a cauda escanzelada. O tempo passava devagar, devagarinho. Nessa tarde apareceram pela aldeia dois homens bem parecidos à procura do Ti Joaquim, quem seriam eles? O que quereriam eles do morto? Fazia quase uma semana que a aldeia havia chorado a morte do ancião quase centenário, bom homem. Quem seriam eles? Esta pergunta não saía da cabeça da D. Isabel. “Cá para mim são os netos dele. Os filhos do António…esse foi o úlimo…”. Os dois homens após algumas perguntas indiscretas e sorrateiras aos poucos habitantes chegaram a casa de D. Isabel, viúva, sem filhos. Pois bem, o avô paterno tinha batido a bota, tanto melhor, esta era a altura para tirar tudo a limpo, teria o velhote assim tanto dinheiro como o pai dizia? D. Isabel que se havia tornado na companheira do Ti Joaquim há mais de trinta anos, enviuvou muito nova. Joaquim, esse enterrou os seus três filhos e a mulher, só o mais novo deixou descendência. O testamento estava em posse da D. Isabel. Era verdade. Dinheiro, terras e mais terras, estava lá tudo escarrapachado e, era tudo dela. Nesse mesmo dia Pedro e José resolveram comprar um casebre em ruínas que ficava em frente da casa da velhota. A “avozinha” parecia muito simpática e quase nas últimas, engano deles. Seria a solução de todos problemas e aquela aldeia do interior daria um óptimo esconderijo.

<< Home